Suplemento alimentar: como saber se o seu é regular na Anvisa
Por Dr. André Luis Lopes Costa · CRM-ES 17.797 ·
Quase todo paciente chega ao consultório com uma sacola de potes. Whey, colágeno, multivitamínico, cápsula "para queimar gordura". Eu sempre pergunto onde a pessoa comprou. Na semana passada, uma decisão da Anvisa mostrou por que essa pergunta importa, e o caso aconteceu aqui no Espírito Santo.
O que a Anvisa decidiu
Segundo a Agência Brasil, a Anvisa determinou a apreensão de todos os produtos fabricados pela empresa PSM Pennaforte Produtos Naturais, incluindo suplementos alimentares. A medida foi publicada no Diário Oficial da União.
O motivo: a vigilância sanitária de Marataízes (ES) foi ao endereço que a empresa informou no cadastro e encontrou uma residência. Nenhuma empresa ou estabelecimento comercial funcionava ali. Ou seja, não se sabe onde nem como esses produtos eram feitos.
Pela decisão, os produtos não podem ser fabricados, importados, distribuídos, divulgados nem utilizados. A Agência Brasil informou que não conseguiu contato com a empresa.
Suplemento também tem regra
Muita gente acha que suplemento é "natural" e por isso não passa por controle nenhum. Não é bem assim.
Desde 1º de setembro de 2024, pelas regras atuais da Anvisa, todo suplemento alimentar precisa ser notificado à agência. Antes disso, só os que tinham enzimas ou probióticos precisavam de registro. Os outros eram comunicados à vigilância sanitária local. Como a mudança está em transição, ainda dá para encontrar no mercado produtos nas duas situações.
Como conferir o seu em poucos minutos
Pegue o pote e procure no rótulo uma destas frases:
- "Alimento registrado na Anvisa", seguida de um número de registro.
- "Alimento notificado na Anvisa", seguida de um número de processo.
Depois, entre no site de consultas da Anvisa, clique em busca avançada e digite o número no campo certo: "número da regularização" para registro ou "número do processo" para notificação.
O resultado aparece assim:
- Ativo: o produto está regularizado.
- Inativo: o produto não está autorizado pela Anvisa.
Se o rótulo não traz nenhuma dessas frases, o produto pode ter sido regularizado só na vigilância sanitária da cidade onde foi feito. Nesse caso não existe consulta online. A Anvisa orienta procurar a vigilância da cidade do fabricante, cujo endereço tem que estar no rótulo.
O que mais olhar no rótulo
A Anvisa lista o que precisa estar lá:
- O nome "SUPLEMENTO ALIMENTAR" em letra maiúscula e negrito, junto com a forma (cápsula, pó, líquido).
- Modo de usar, com quantidade por dia.
- Advertências e restrições de uso.
- Tabela nutricional e lista de ingredientes.
- Lote, validade e origem.
E um ponto que ajuda muito: suplemento não pode prometer prevenir, tratar ou curar doença. Se o pote ou o anúncio diz que "acaba com a diabetes" ou "derrete a gordura", o alerta já acendeu.
O que eu oriento no consultório
Produto regular não quer dizer que você precisa dele. Muita gente toma suplemento sem saber se tem deficiência, ou em dose que soma com outro pote parecido. A própria Anvisa lembra que até produto regular pode trazer risco acima do limite seguro ou para grupos a que não se destina.
Por isso eu sigo três passos com quem me procura:
- Ver se precisa. Exames e alimentação dizem mais que propaganda.
- Ver se é regular. A consulta acima leva poucos minutos.
- Ver a dose. Junto todos os potes e confiro se nada se repete.
Já escrevi aqui sobre um suplemento que tem estudo de verdade por trás, a creatina depois dos 45 anos. Mesmo nesse caso, a regra vale: compre de quem você consegue conferir.
Se você tem algum produto da empresa citada, pare de usar e guarde a embalagem. Teve algum sintoma diferente? Procure um médico e leve o pote junto.
Fontes
Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Cada caso precisa de avaliação médica individual.
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Agende uma avaliação no Instituto Eva, em Jardim Camburi (Vitória) ou Laranjeiras (Serra).
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