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    Emagrecimento

    Reposição hormonal ajuda a caneta para emagrecer a funcionar melhor?

    Por Dr. André Luis Lopes Costa · CRM-ES 17.797 ·

    "Doutor, minha amiga perdeu mais peso que eu com a mesma caneta. Por quê?" Na faixa dos 45 aos 60 anos, essa pergunta aparece muito no consultório. Um estudo apresentado nesta semana traz uma pista que envolve a menopausa.

    O que foi apresentado

    Pesquisadores da Mayo Clinic, nos Estados Unidos, liderados por Regina Castaneda, apresentaram o trabalho no congresso anual da The Menopause Society, que acontece em San Diego de 20 a 24 de outubro de 2026.

    Eles olharam para trás, nos prontuários, e analisaram mulheres com mais de 45 anos e índice de massa corporal acima de 27, em tratamento para sobrepeso ou obesidade:

    • Cerca de 2.400 usavam semaglutida.
    • Cerca de 1.500 usavam tirzepatida.

    A pergunta era simples: quem fazia reposição hormonal da menopausa perdeu mais peso com essas canetas do que quem não fazia?

    O que encontraram

    • Com a semaglutida, as mulheres em reposição hormonal tiveram perda de peso maior e mais duradoura.
    • Com a tirzepatida, quem fazia reposição perdeu mais peso no começo, mas no resultado final a diferença não foi estatisticamente significativa. Ou seja, pode ter sido acaso.

    Os autores consideram o efeito biologicamente possível. Estudos em laboratório sugerem que o estrogênio e o hormônio GLP-1, que essas canetas imitam, podem agir juntos no controle do apetite e do metabolismo.

    Os limites do estudo

    Aqui é preciso calma. Este é um estudo retrospectivo: ele compara grupos que já existiam, não sorteia quem faz ou não reposição. Mulheres que fazem reposição podem ser diferentes das outras em muitos pontos, como idade, acesso a consultas e hábitos. Qualquer um desses fatores pode explicar parte da diferença.

    Além disso, o trabalho foi apresentado em congresso e ainda não passou pela revisão completa de uma revista científica. A autora principal disse que é cedo para conclusões firmes e que os achados precisam ser confirmados em estudos feitos para isso.

    E a autora fez questão de dizer uma frase que repito aqui: perder peso não é motivo para começar reposição hormonal.

    O que isso muda na prática

    Para quem está nessa fase da vida, eu levaria três coisas deste estudo:

    • A menopausa conta. A queda dos hormônios mexe com a distribuição da gordura, com o sono e com a massa muscular. Ela deve entrar na conversa sobre emagrecimento, e não ficar de fora.
    • A reposição tem indicação própria. Ela é avaliada pelos sintomas da menopausa, como ondas de calor, e pelos riscos de cada mulher. Não se começa reposição para a caneta "funcionar melhor".
    • Cada corpo responde de um jeito. Comparar seu resultado com o de outra pessoa pode desanimar sem motivo. O ajuste do tratamento é individual e acompanhado.

    Também vale lembrar que nenhum remédio substitui a base: comer proteína suficiente e fazer treino de força, que ajuda a proteger o músculo durante o emagrecimento. Já escrevi sobre o que acontece quando a caneta é interrompida, em Parei a caneta e o peso voltou.

    Resumindo

    O estudo levanta uma hipótese interessante, principalmente para a semaglutida, mas ainda não muda a prática. Se você está na menopausa, usa ou pensa em usar uma caneta e tem dúvidas sobre reposição, leve as duas perguntas juntas para a consulta. A decisão sobre cada uma é feita com avaliação individual.

    Fontes

    Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Cada caso precisa de avaliação médica individual.

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