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    Emagrecimento

    Parei a caneta e o peso voltou: o que os estudos mostram

    Por Dr. André Luis Lopes Costa · CRM-ES 17.797 ·

    "Doutor, se eu parar a caneta, engordo tudo de novo?" Essa é uma das perguntas que mais escuto de quem está emagrecendo com semaglutida ou tirzepatida. A resposta honesta é: boa parte do peso tende a voltar, mas não é uma sentença. E hoje já existe número para conversar sobre isso.

    O que o estudo encontrou

    Pesquisadores da Universidade de Cambridge publicaram em março, na revista *eClinicalMedicine*, do grupo The Lancet, uma revisão sobre o que acontece com o peso depois que a pessoa para de usar remédios da classe GLP-1.

    Eles reuniram 48 estudos. Para desenhar a curva do reganho, usaram seis ensaios clínicos com 3.236 participantes. Os resultados principais:

    • Um ano depois de parar, volta em média 60% do peso perdido durante o tratamento.
    • O reganho é mais rápido no começo e desacelera. Metade do reganho previsto acontece em cerca de 23 semanas.
    • A curva tende a estabilizar em torno de 75% do peso perdido. Ou seja, na média, o peso não volta inteiro.

    Um exemplo para ficar claro. Quem perdeu 10 kg com a caneta e parou teria, em média, recuperado 6 kg depois de um ano.

    Os limites do número

    Três cuidados na leitura:

    • É uma média. Há quem recupere menos e quem recupere mais. O estudo não diz o que vai acontecer com você.
    • O dado depois de um ano é uma projeção. Os ensaios acompanharam as pessoas por cerca de 52 semanas. O patamar de 75% é uma estimativa matemática, não uma medida direta.
    • A qualidade dos estudos é mediana. Os próprios autores classificaram a maioria como de risco moderado de viés.

    Por que o peso volta

    Não é falta de força de vontade. A obesidade é uma doença crônica, e o remédio funciona enquanto está sendo usado, como acontece com o remédio da pressão.

    Uma segunda revisão, publicada em maio na mesma revista por um grupo da Universidade McGill, no Canadá, descreve o reganho como resultado de fatores físicos, de comportamento e do ambiente que voltam a agir quando o remédio deixa de segurar o apetite. O mesmo texto traz um dado que preocupa: em estudos de vida real, até 65% das pessoas param a caneta no primeiro ano.

    Ou seja, parar é comum. O problema é parar sem plano.

    O que isso muda na prática

    A decisão de parar deve ser combinada com o médico, antes, e não depois que o peso começou a subir. No consultório, costumo conversar sobre estes pontos:

    • Não interrompa por conta própria. Efeito colateral, custo e falta do remédio na farmácia são motivos frequentes, e para todos existe conduta. Avise seu médico.
    • Use o tempo de tratamento para construir hábito. A caneta diminui a fome. Esse é o melhor momento para ajustar a alimentação e criar rotina de treino.
    • Treino de força entra desde o início. Preservar músculo ajuda o corpo a gastar energia e protege a saúde. Escrevi sobre isso no texto sobre musculação e gordura.
    • Proteína suficiente em todas as refeições.
    • Acompanhamento depois da última dose. Os primeiros meses são os de reganho mais rápido. É quando as consultas, a medida da cintura e a composição corporal mais ajudam.
    • Para algumas pessoas, o tratamento é de longo prazo. Isso não é fracasso. É o mesmo raciocínio de outras doenças crônicas, e a decisão é individual.

    Outro ponto importante: os autores de McGill lembram que, junto com o peso, costuma se desfazer também parte das melhoras na saúde do coração e do metabolismo. Por isso o acompanhamento depois de parar não é só sobre a balança.

    Resumindo

    Parar a caneta costuma trazer parte do peso de volta, em média 60% em um ano, segundo a revisão de Cambridge. Esse número é uma média, não um destino. Quem planeja a saída com o médico, mantém o treino de força e segue sendo acompanhado tem mais ferramentas para segurar o resultado. Se você está pensando em parar, converse antes.

    Fontes

    Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Cada caso precisa de avaliação médica individual.

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    Agende uma avaliação no Instituto Eva, em Jardim Camburi (Vitória) ou Laranjeiras (Serra).

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