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    Emagrecimento

    Obesidade em crianças: o que a nova diretriz da OMS diz sobre canetas

    Por Dr. André Luis Lopes Costa · CRM-ES 17.797 ·

    Com as canetas para emagrecer cada vez mais conhecidas, uma pergunta nova começou a aparecer no consultório: "Doutor, meu filho pode usar?". Nesta semana, a Organização Mundial da Saúde respondeu a essa pergunta pela primeira vez, em documentos oficiais.

    O que a OMS publicou

    No dia 7 de outubro, a OMS lançou as primeiras diretrizes globais para o tratamento da obesidade na infância e na adolescência. São dois documentos:

    • Um para crianças com menos de 10 anos.
    • Um para adolescentes de 10 a 19 anos.

    O motivo é o tamanho do problema. Segundo a OMS, a obesidade nessa faixa de idade quadruplicou desde 1990, de 2% para 8%. Em 2024, eram 170 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos com obesidade no mundo. No Brasil, o Atlas Mundial da Obesidade 2026, citado na reportagem do Estadão, estima cerca de 6,6 milhões de crianças de 5 a 9 anos e 9,9 milhões de jovens de 10 a 19 anos com obesidade.

    Antes dos 10 anos: sem remédio e sem cirurgia

    Para crianças com menos de 10 anos, a OMS não recomenda remédios para obesidade, cirurgia bariátrica nem dispositivos para perder peso. Isso inclui as canetas do tipo GLP-1.

    A justificativa é a falta de dados. Ainda há pouca prova de benefício nessa idade e faltam informações sobre efeitos no crescimento, no desenvolvimento e na saúde mental.

    O tratamento recomendado é outro:

    • Mudanças na alimentação da casa, não só da criança.
    • Atividade física adaptada à idade e aos interesses dela.
    • Estratégias de comportamento, com os pais e cuidadores envolvidos de perto.

    A diretriz também inclui temas como tempo parado, sono e uso de ferramentas digitais de saúde, estas sempre com supervisão dos pais.

    Dos 10 aos 19 anos: remédio só depois de tentar a base

    Para adolescentes, a porta não está fechada. Os remédios aprovados, como as canetas, podem ser considerados quando um programa supervisionado de mudança de estilo de vida não deu resultado. A reportagem do Estadão detalha que esse acompanhamento deve durar pelo menos seis meses antes de outro tratamento, e cita como exemplo os casos com complicações, como diabetes tipo 2.

    A cirurgia bariátrica fica como última opção, sob condições rigorosas, para adolescentes com obesidade grave em que outros caminhos falharam.

    A saúde mental entra no tratamento

    Um ponto da diretriz que considero muito importante: a OMS pede atenção à ansiedade, à depressão, à baixa autoestima e ao bullying que muitas dessas crianças enfrentam. Isso deve ser cuidado cedo e junto com a família. Uma criança que sofre na escola por causa do peso precisa de acolhimento, não de bronca.

    O que isso muda na prática

    Para os pais, a mensagem é clara. Nas palavras de Luz María De Regil, diretora de Nutrição da OMS, a base do tratamento "não está em medicamentos ou cirurgias".

    Na prática, eu oriento assim:

    • Não compre caneta por conta própria para criança ou adolescente. Nem pela internet, nem com receita de outra pessoa.
    • Leve a criança ao pediatra se o peso preocupa. Ele vai avaliar crescimento, exames e possíveis doenças associadas.
    • Mude a rotina da família inteira. Criança não come sozinha nem escolhe o que entra no carrinho do mercado.
    • Evite comentários sobre o corpo dela. Foque em hábitos, não na balança.

    Para adolescentes, a decisão sobre remédio deve ser tomada com o médico que acompanha o caso, depois de tentar a base com seriedade e por tempo suficiente.

    Se a dúvida é sobre o acesso às canetas para adultos, já expliquei aqui quem deve receber a caneta pelo SUS.

    Resumindo

    A OMS diz que, antes dos 10 anos, obesidade se trata com alimentação, movimento e apoio da família, sem canetas e sem cirurgia. Dos 10 aos 19, o remédio pode entrar, mas só depois de um programa supervisionado de mudança de hábitos. Em qualquer idade, o cuidado com a saúde mental faz parte do tratamento.

    Fontes

    Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Cada caso precisa de avaliação médica individual.

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